Mostrando postagens com marcador C. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador C. Mostrar todas as postagens

Chibantaria

Chibantaria: s.f. para cada dois dias de esbórnia, duas semanas de reclusão, boa literatura, café e chocolate.

Conseqüência

Conseqüência: s.f. se abate sobre aquilo que se movimenta.

Confiança

Confiança: s.f. diz-se da forma de validar o amor com base na sua certeza; segundo vulgo popular é prima em segundo grau da eternidade; segundo experiências é algo que possui certa variação: ou se deteriora ou se renova em formas diferentes.



*Ilustração: Liniers

Chapéu

Chapéu: s.m. adorno para a cabeça quando esta não faz mais uso da razão ou simplesmente não vê possibilidade de utilidade para ela; ou a própria utilidade que se dá após a constatação natural e mecânica de que contra os absurdos cordiais só a beleza dá jeito; objetivação de mistérios; parte do conjunto de objetos usados no meio do século XIX (chapéu, luva, sombrinha e leque) para se intermediar o que em uso moderno chama-se de paquera; na forma de cartola é aeroporto de corvos e esconderijo de coelhos e pombos; (arquit.) marquise de visões; telhado de intenções.



Coisas do Liniers

Condição

Condição: s.m. conjunto de ideais para se compor a perfeição; atalho mais longo para a consecução de objetivos emocionais.


Corpo

Corpo: s.m. máquina de colocar almas em apuros.

Comensal

Comensal: s.m. tipo de presa utilizada para infectarmos com o máximo de ternura possível o que um mundo pode suportar de belo.

Cool

A primeira vez que ela vestiu um Givency foi no filme Sabrina, mas foi usando um pretinho básico do estilista no filme Breakfast Tiffany’s (Bonequinha de Luxo) que a palavra cool encontrou o seu melhor sinônimo. Quem diria! Logo uma história de amor entre uma garota de programa e um gigolô se transformar num dos contos de fadas mais inspiradores da década de 60. O mundo estava mesmo ficando de cabeça para baixo e Holly Golightly estava lá, para anunciar os novos tempos. Claro que eu estou falando de Audrey Hepburn. Sem exageros, Bonequinha de Luxo foi uma revolução estética graças a ela porque, como se não bastasse sua beleza ter sufocado os preconceitos, o filme também desbancou a preferência por loiras e mulheres de curvas insinuantes no cenário de Hollywood. Há quem afirme que as pessoas jamais aceitariam com tanta naturalidade a vida vadia da cortesã novaiorquina que só queria saber de diamantes da Tiffany’s, se não fosse a singularidade de Audrey. A imagem frágil e delicada de Hepburn deu o contraste perfeito à descolada personagem de frases espirituosas. Tá, estou ignorando o fato de que o conto de Capote supera em muito o filme e que Audrey não foi tão fiel assim à bagaceira da personagem no livro, servindo até a uma censura do sentido da obra original. Mas foda-se! Eu adoro rever os passeios glamorosos de Holly pela Nova York da década de 60. Adoro suas viradas de noite com direito a cigarro com piteira, fugas pela janela e café da manhã em frente da Tiffanys, embora ela tenha plena consciência que é de extremo mau gosto uma mulher usar diamantes antes dos 40.

Compleição

Compleição: substantivo feminino transitivo. define peso e tendência humanos antes da pessoa se colocar na via pública; forma delicada de demonstrar desagrado com profundos suspiros entediados diante do bom humor alheio dentro dos coletivos; também pode ser uma forma de evidenciar eloqüência amorosa com olhares persistentes e indiscretos; vestimenta de almas sinceras. com + play + sã.

Claudicar

I Got It Bad And That Ain't Good
Composição: Duke Ellington

Never treats me sweet and gentle
Oh, the way that he should
I got it bad and that ain't good, oh

My poor heart, it's sentimental
You know it ain't made out of wood
Oh, I got it bad and that ain't good

Oh, when the weekend is over
And Monday rolls 'round
I am the way that I start out
You know I'm crying, crying my heart out

He don't love me like I love him
Oh, nobody could, I got it bad, bad, oh
I got it bad and it ain't good



*E no Piano...

"Eu não acredito em Arte. Neste sentido, não sou um artista. Acredito em Música, entendida como algo que sempre esteve aqui e bem antes de nós. Neste sentido, possivelmente, eu não sou um músico. Não acredito em Vida, mas quem considere com real profundidade a questão também encontrará a mesma chave. Não acredito que eu possa criar, mas sim que possa ser um canal para o criativo."
Keith Jarrett

Concentração

Não veio, simples assim. É mesmo uma injustiça os contos publicados em blog não poderem participar de concursos. Eu não sou mesquinha. Vou escrever uma coisa que gostei muito e guardar? “aaaaah! Esse é pro concurso pra eu ganhar cinco mil reais!” Não estou falando que seja uma espécie de heresia ganhar dinheiro com literatura ou seja lá qual for a arte. Só acho que isso não pode restringir o uso literário! Meu Deus! Eu escrevo para me comunicar e não para me mostrar. Me sinto uma das formiguinhas da eterna briga do homem contra a sociedade. Isso é tão demode! Que merda! E não veio gente! Não veio... Um bom texto vem como um vômito e não espremido como uma espinha no rosto. Sacou a metáfora? A espinha é superficial. O vômito vem de dentro, uma coisa que não pode mais ser contida; é como diz Henry, a gente escreve pra lançar o veneno... E não veio, tô digerida! E o prazo termina hoje! Que puxa! Também não vou sair de casa, entregar livros na biblioteca ou me inscrever em alguma disciplina isolada. Sabe o que eu percebi? Que 2008 só vai poder começar quando eu terminar essa monografia... Tá tudo depositado nela... Gente, eu não posso continuar sendo assim, tão concentrada! Isso não é saudável! Queria ser do signo de gêmeos...

Cópula

Cópula: substantivo feminino, conclusão de um processo intercambial entre duas ou mais pessoas, cujo objetivo primordial é provar-se desejável.

*Enviada por Bowie

Ciúme

Ciúme: s.m. sentimento que nasce da convivência com pessoas mais tristes que você e menos um monte de coisa; descrença no ser humano; formato de cicatrizes passadas; provocação; disseminação de insegurança.

Coragem

Coragem: s.f. doce feito de pólvora; única alternativa dos fracassados; (sin.) poesia surrealista.

Começo

Fico muito puta quando descubro tarde certas evidências que tornam a vida mais simples. A bola da vez são duas:

1. Quanto mais você se expõe, mais está sujeito a julgamentos. Fica-se menos livre para cometer certos pequenos e deliciosos crimes que fazem de nós pessoas mais originais;
2. Sendo a virtualização nossa capacidade de multiplicar possíveis, o certo não é virtualizar apenas a máquina (embora isto cause repercussões na vida cotidiana), mas virtualizar os sentimentos, causar possíveis.

Pois bem. Desfiz um tanto de percursos internéticos. Hoje minha vida resume-se em três contas de email, um blog para vôos literários, um lugar para armazenar fotos e vídeos e este blog para soltar os bichos e não estragar o outro de pretensões literárias. Só que o que adianta estar de acordo com a evidência número 1 se eu não pratico a 2? Pois o que elas resumem é: pratique mais os seus sonhos! Sinto-me encurralada: desempregada, tentando me recauchutar profissionalmente sob a generosidade da minha mãe que me chega como uma dívida de realização profissional e ainda tendo que viver intensamente? Como, se uma coisa depende da outra? Em suma, para viver intensamente preciso de dinheiro!!!

Ou não... Alguns poucos reais, em que a gente vai até a esquina e compra duas doses de uísque (esconde numa garrafinha de guaraná) e dois cigarros picados... Vai para casa estudar as relações de Charlie Kaufman e Lacan... Passa pela cozinha e enche uma xícara de café bem quentinha... Tranca a porta do quarto e se diverte a valer cometendo pequenas transgressões! Nas horas vagas e nas horas nem tão vazias, você pára para se contemplar já que está em pleno exercício de solidão. Chega a conclusão que se não escreveu um livro até os trinta anos talvez seja melhor tratar com carinho um blog... Pelo menos duas pessoas o lerão. E se concentra em crescer definitivamente e entrar na fila dos bois a caminho do matadouro. (mas meu sonho não era ser uma espécie de fracassada de sucesso? O bom é que escolhi uma profissão que me permite um caminho para aprender a lidar com paradoxos).

Não é tão ruim se você pode se trancar dentro de um quarto vez em quando e beber e fumar escondido. Escutar uma musiquinha, lembrar de um amigo... Ontem eu disse a mim mesma que hoje daria minha cara a tapa na aula. Desisti, chove lá fora, quero ficar comigo. Quero me eternizar aqui, meio embriagada, fedida de nicotina, esperando a discografia da Janis Joplin terminar de baixar para que eu possa lembrar o tempo em que eu era uma garota ingênua (talvez ainda seja, me apaixonei ano passado por um cara que quando queria transar pedia pra eu “tirar a roupinha” e fazia cara de coelhinho quando dizia não - melhor não me gabar de maturidade)...



Tomando coragem de começar a sexta-feira já no fim do dia... E que se foda! Nasce assim esse blog, regado – que exagero! Só duas doses. – a uísque. Eu sei. É meio contraditório com as evidências citadas aí em cima. Mas eu sou contraditória. Não tem jeito!

Ninguém se pergunta por que nas inaugurações quebra-se uma garrafa de champagne. Pelo menos nos desenhos animados da minha infância era privilégio da mocinha quebrar uma garrafa no casco do navio... Eu achava lindo! Mickey, Donald e Pateta trabalhando duro na construção do navio e aí vem a Miney ou a Margarida (não lembro) com a garrafa para inaugurar o feito dos machos. Vale a pena lembrar que a garrafa não se quebrava e o barco desmoronava, graças à pateguice dos três.

E também ninguém questiona porque tanto champagne acaba sendo desperdiçado quando se estoura uma garrafa numa comemoração. Ou porque se coloca tão pouco numa taça. É uma bebida cara! E talvez por isso seja chique o seu desperdício. Pois o luxo é uma espécie de excesso, não? Algo que transborda. Quando penso na palavra luxo e glamour, sempre me vem à mente plumas, paetês, espuma e bolhas. Então acho que champagne é chique embora seja feito para se consumir pouco e desperdiçar muito.

Não creio em nenhum alcoólatra ou bom bebedor, no entanto, quebrando uma garrafa de uísque para inaugurar alguma coisa. Nem tampouco uma dose transbordando em um copo (salvo quando meia garrafa já foi consumida, mas aí já é uma questão involuntária de perda das capacidades motoras). Pelo contrário, on the rocks ou cowboy, duplo ou com gelo de água de coco (versão latina), com guaraná (para iniciantes e damas de cabaré) o uísque é algo que não é feito para se desperdiçar. Tem algo de ínfimo e monstruoso... Um jardim selvagem é o que ele rega!

“E depois do começo o que vier vai começar a ser o fim.” Legião Urbana.